Descartes deu o mote. A filosofia deste deste espaço é antes de mais dedicado ao sonho, às duvidas existênciais à escrita e ao prazer da leitura, um blog onde a actualidade não pode deixar de estar presente.



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Uma pequena história...





Sentou-se em cima da sua mesa de trabalho no escritório, descansando um pouco do dia turbulento que teve, com um pé no ar e outro meio apoiado no chão. Olhando através das réguas das persianas interiores, que lhe vedava as janelas, quando tinha reuniões, e não queria que o vissem.

Joana, a sua secretária, vendo-o com ar abatido, levantou-se do seu local de trabalho bateu levemente á porta, dizendo em surdina um “posso?”, ao que ele respondeu, um claro e inequívoco “sim”.

- O que é que o meu Doutorzinho tem? Está com um ar tão abatidinho!...
- Estou simplesmente cansado.
- Cansado? Quer que lhe faça uma massagem?
- Vá lá Joana, isto aqui é um local de trabalho.
- Diz lá que não era bom...

Joana era um desiderato para ele. Desinibida e moderna, não se fez rogada beijando-o ali mesmo.

Tocou o telefone. Alexandre atendeu, carregando no botão de alta voz, ouviu os gritos alterados a vós do patrão que lhe berrou:

- Seu estúpido é mesmo um burro incorrigível, podias ao menos fazer isso às escondidas, assim não me deixas alternativa senão ter que te despedir e já, podias ter mais consideração pela minha filha! Quero-te na Rua e já!

Um pequeno erro, tinha-se esquecido de fechar as malditas persianas e todos, os que estavam no escritório puderam testemunhar aquele momento de infidelidade.

Aparvalhado e apanhado de surpresa, vendo as persianas do seu escritório abertas, olhando através dela olhou para o gabinete do sogro que era em frente, vendo-o esbracejar. De permeio o amplo escritório, onde cerca de uma dúzia de empregados de escritório puderam ver certamente o que nunca deviam ter visto em hipótese alguma ver. Olhando para eles viu-os todos de cabeça baixa excepto a chefe do escritório, que o observava com ar de censura.

E agora que iria fazer da sua vida. Afastou-se de Joana saltando de cima da secretária, como se tivesse uma mola por baixo que o fez saltar. Com o sobrolho carregado por esta enorme contrariedade que lhe estava a acontecer, mandando-a sair de imediato. Não queria querer no que lhe estava a acontecer, logo na semana em que ia fazer seis anos de casado. Não tinha filhos, diziam que era ele tinha um ligeiro problema por isso não conseguia tê-los. Alex não convencido que o problema era mesmo seu, resolveu experimentar fora de casa. Há muito tempo que resistia aos encantos da sua secretária que sempre se vestiu não de forma inocente sempre mortinha de se meter debaixo dele, como se a tentação estivesse sempre presente. Há seis meses que andava literalmente de cabeça perdida com ela.

Correu para as persianas fechando-as, mas antes não deixou de olhar para os coscuvilheiros que estavam na sala ao lado, espiando-o pelo canto do olho, observando o que se passava no interior do seu escritório. Mandou-os baixinho àquele lado que todos sabem. Pegou na sua agenda, onde tinha todos os contactos das pessoas suas amigas. Pegou no casaco e saiu. Sabia que a mulher não tardaria nada que fosse avisada por algum funcionário, mortinho por lhe cair nas boas graças.

Conhecia bem o lado agressivo da mulher com quem vivia. Ambicioso Alex deixou-se levar pela filha do próprio patrão, o perfume pelo poder falou mais alto, ao casar com uma mulher quinze anos mais velha do que ele. Embora fosse uma mulher sofisticada, era uma linda mulher. Quarentona, capaz de fazer roer de inveja qualquer outra mulher. Alexandre Costa, não tinha a mais pequena intenção de a trocar muito menos por uma simples secretária, por uma miúda de vinte anos.

Havia uma questão pendente, Alexandre não tinha sido capaz de fazer um filho, o sogro não lhe perdoava, a sua filha não lhe dar um Herdeiro que tomasse conta um dia de todo o império. Diziam que era o genro que tinha um problema qualquer. Alex não queria de forma alguma estar a levantar questões com a família da mulher e prontificou-se para realizar todos os exames que lhe pedissem. A questão de ter ou não ter filhos e o desejo de experimentar novas sensações. A secretária encontrava-se sempre disponível, o desejo de se envolver sexualmente com ela foi muito mais forte do que poderia prever, já que a sua mulher raramente queria sexo com ele. Como é que ela poderia engravidar. Alex sabia que a mulher tinha pavor inconfessado de deformar o corpo. Por isso sempre manteve uma vida social intensa. Sempre com imensos compromissos com gente das mais díspares áreas, sempre com os fotógrafos atrás. Toda esta actividade, não lhe deixava grande tempo para satisfazer o marido. Daí à traição foi um pequeno passo.

Desde o dia em que a realizou diversas entrevistas, na procura de encontrar alguém para o secretariar. Apareceu-lhe uma candidata ao lugar, que suplantou todas as outras, pela exuberância da sua irreverente juventude. Desde esse primeiro momento ficou fascinado com os atributos físicos de Joana. Viu que esta estava disposta a conquistar o seu lugar ao sol, não se remeteu ao simples papel para o qual foi admitida. Após ter percebido o desejo que despertava em Alex, não se fez rogada e cada vez mais provocante até ao dia em que ele lhe tocou.

Meter-se com a secretária, mesmo debaixo do nariz do sogro. Foi um descuido imperdoável que lhe ia sair muito caro. Acabava ali a sua vida dourada. Não tardaria que as revistas que se interessam pelas questões relacionadas com a nata da sociedade rondassem como vampiros, dispostos a tudo para conseguirem um simples depoimento ou uma foto.

Pegou no seu carro e saiu rapidamente. Passou por casa, pegou nalgumas roupas e em dinheiro. O seu telemóvel tocou, viu no visor que era a mulher que lhe estava a ligar. Hesitou, deveria atender.
Não atendeu!

Sabia que tinha de se pôr a léguas dali, não tardaria que iria rebentar um escândalo sem precedentes. Já que toda a família da mulher vira neste incidente uma boa oportunidade para se livrarem do infértil, que não consegue cumprir com a sua obrigação, dar um filho àquela gente.

A mulher seria implacável quando o visse, dona e senhora de tudo, certamente lhe iria fazer a vida negra. Os dois anos de casado, não fizeram dele um homem rico, mas sempre que podia ia reforçando uma conta secreta que tinha num banco na Madeira.

Dirigiu-se ao aeroporto, que era relativamente perto da sua casa, consultou as partidas, comprou uma passagem dirigiu-se ao local de embarque, para fazer o check-in, uma hora levantou voo com destino a Paris.

Alex iria ter que começar tudo de novo, Portugal já era para ele. Uma semana depois, ligou para a amante, tentando saber novidades, sem nunca lhe referir onde estava, de toda a sua tragédia, acabava por sentir saudades da jovem. Pegou no telefone que tinha à sua cabeceira no quarto do hotel onde estava hospedado, ligou directamente para Portugal.

Joana encontrava-se já na cama quando o telefone tocou, passava já mais de quinze minutos da meia-noite.

Joana olhou para o visor do telemóvel, tentando ver se conhecia o número que lhe ligava. Era um confidencial. Atendeu timidamente, com o coração aos saltos, com medo de represálias. Sabia que mais tarde ou mais cedo haveria de acontecer algo. Havia sido despedida no mesmo dia em que Alex partiu. Nunca mais falara com ninguém. Imediatamente reconheceu a vós que lhe ligava, dando um grito de contente, quando ouviu do outro lado da linha a vós de Alex.

- Joana?
- Alex onde é que tu estás?
- Eu estou bem e tu?
- Mal! Tenho saudades tuas... Acrescentou ela, com voz suplicante. - Não me vens ver!
- Não posso! estou longe, muito longe! Diz-me o que é que aconteceu depois de eu sair?
- Fui despedida. Nunca mais vi ninguém...
- Então não sabes mais nada?
- Mais ou menos! A Amélia tem-me ligado a contar-me as novidades.
- Precisamos de falar, tenho muitas saudades tuas e das tuas massagens, queres vir ter comigo?
- Vou já...
- Calma, prepara as tuas coisas vou mandar-te um bilhete de avião pelo correio, para vires ter comigo, mas nada de dizeres a ninguém, nem à Amélia sequer e já agora conta-me tudo o que sabes.

Joana, feliz por ouvir o homem com quem sonhava dia e noite, acordada ou a dormir, não deixava de andar sempre com o pensamento nele. Havia pouco que contar, foi despedida, a mulher de Alex espumou-se toda no escritório, fez o maior escândalo que há memória no escritório da empresa. Mas a sua principal fonte de informação residia numa entrevista exclusiva que ela tinha dado a uma revista em que tinha posto ao sol a vida e a “impotência” do seu “Ex -”. Joana sabia melhor que ninguém que era mentira. O seu amante era um homem perfeito. Segundo leu nessa revista tinha dado já ordens ao seu advogado para que solicitasse o divórcio o mais rapidamente possível, embora houvesse um pequeno problema, já que ninguém sabia onde ele se encontrava.

- Queres que te mande a revista?
- Para quê? Já sei o que essa senhora é capaz de dizer e de fazer. Não deixes que ela seja capaz de te fazer mal?
- A mim não. O velhote até foi meu amigo, no dia em que me despediu, entregou-me um cheque de vinte mil euros, para eu desaparecer do mapa...
Antonio Gallobar

4 comentários:

  1. Hummmmmmmmmmm.....Adorei a história! Que mancada do cara! Deixar as persianas abertas...Mas acho que foi bom. Como diz o ditado " há males que vem para o bem". A perua da mulher dele não me pareceu com um caráter bom. Depois era superficial, chata e pior: não gostava de sexo. Acho que era frígida ou tinha um amante. O cara também casou pela possibilidade de crescer na vida. Paga-se um preço. Difícil é que este preço são infinitas prestações. Isto é, até que se finde por algum motivo qualquer, como este. A secretária me pareceu uma biscate! Mas depois ao fone ela disse sentir falta dele..E ele ligou para ela..Algo mais que sexo, ficou no ar. Ambos se deram bem. E acho que diante das declarações da mulher sobre a suposta impotência ele deverá acioná-la juridicamente e ganhar uma boa grana. Ou fazerem um bom acordo na partilha dos bens...Vixiiiiiiiiiiiii! To aqui já estendendo a tua história, pode isso? Rsrsrs.


    Beijos e obrigada pela visita! Adorei ler esta história, voltarei para ler outras e volte sempre ao meu cantinho! Será um prazer.

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  2. Olá, António
    Venho agradecer a tua visita ao "Histórias de Encantar" e conhecer o teu espaço.
    Estive a ler os post todos ( já estou aqui há um bom bocado...)e gostei do que li.
    Vou fazer-me tua seguidora, e colocar o endereço nos Favoritos, para voltar.
    Entretanto, se quiseres visitar os meus outros blogs, terei muito prazer nisso.

    Um resto de bom Domingo.

    Beijinhos
    Mariazita

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  3. Antonio, o seu conto é bem interessante e realista, acho que as coisas ocorrem bem assim, mesmo.
    o futuro dele com Joana pode dar certo, ela parece mesmo ser uma cabeça oca, né?
    A ex mulher é uma megera, ele ganhou uns cvinte anos de vida saindo de perto dessa família horrorosa.
    Agora vem, cá, esse Alex é muito fraco né?? Gente, o cara fugiu feito um esqulo assustado, ele nem lutou por seus direitos trabalhistas, ele afinal, apenas tinha sido adúltero, nao roubou, nao matou. Sei não, esse Alex não fez o meu tipo.

    Gostei do seu blog, já estou lendo o outro.
    Voltarei sempre.
    Big abraço

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