Descartes deu o mote. A filosofia deste deste espaço é antes de mais dedicado ao sonho, às duvidas existênciais à escrita e ao prazer da leitura, um blog onde a actualidade não pode deixar de estar presente.



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O amor de costas voltadas...





O amor de costas voltadas.



Helena triste e solitária via-se a entrar pela vida dentro sem uma perspectiva real, sem encontrar alguém que a compreendesse, que lhe pudesse dar um pouco mais do que simples companhia numa ou noutra noite bem passada. Seria que estava destinada a ficar exclusivamente para “Tia”. Com vinte e oito anos feitos, não havia jeito de arranjar uma alma gémea que a fizesse realmente feliz. Amargurada por mais uma experiência frustrada. A última tentativa que fez resultou num autêntico fracasso. O homem com quem tinha saído as últimas três vezes afinal era casado. Quando descobriu tratou de o pôr no lugar certo, isto é na rua, ou para onde ele quisesse, menos na casa dela, muito menos ir para a cama com ela. Bem desconfiou, achava tudo demasiado “certinho”, não estava habituada a ter assim tanta sorte, ele apareceu-lhe na curva do caminho, aquele homem perfeito e disponível fez com que finalmente sonhasse, tal e qual como nos filmes depois de tomar um copo, foi assim  um engate perfeito.







Não ela não era assim, apesar do seu ar modernaço, não era um qualquer que a levava assim sem mais nem menos. Com o passar dos anos viu todas as suas colegas, uma após outra, mal ou bem todas se foram arrumando, excepto Joana mais nova do que ela, todas as restantes, casadas mal casadas lá iam fazendo pela vida, só ela e a amiga pareciam teimar em não encontrar o seu caminho e uma queca é algo que não se deve dispensar, tema largamente debatido entre as duas como tema recorrente, estavam-se conformando com  o caminho que começava a despontar, e, já achavam que quanto mais próximo estivessem dos trinta pior, mais dificuldades teriam e não tardaria a chegar a segunda vaga, isto é os mal casados que não tardariam a andar novamente atrás de mulheres, mas invariavelmente até nesse capitulo ficariam a perder novamente, pois regra geral estes apenas se interessam mesmo por miúdas, quanto mais novas melhor, lamentavam-se elas.



Independente vivendo a sua vida, sentindo-se uma mulher moderna bem à frente, para que precisaria ela de homem. Mais tarde ou mais cedo ver-se-ia forçada a comprar um aparelho que a satisfizesse sexualmente, mas a verdade é que não queria passar os seus dias, sozinha num celibato forçado. O desejo de ter a sua própria família levou-a a uma tomada de uma resolução arriscada e radical. Uma noite vestiu a roupa ousada  que encontrou no guarda roupa, e saiu à rua disposta a tudo, literalmente ao engate.

Esta no seu período fértil, ainda pensou em recorrer a um banco de esperma, mas pensou em muitos ses, burocracias gente a dizer que nem pensar, amigos a meter o "bedelho", não esperaria mais, tinha que ser da forma que idealizara, fez novamente as contas à sua ovulação, tinha que ser naquela noite, não tomou nenhum contraceptivo, preservativo nem pensar sem usar qualquer forma de protecção contra a sida, completamente inconsciente, queria um filho sem pai, mais nada sem pensar em consequências muito menos se o filho gostaria um dia da ideia ou não caso soubesse disto. Nem pensou no assunto, precisava de um jovem adolescente com bom aspecto, Arrastá-lo-ia para a sua cama, para ele não passaria de uma aventura, o trabalho estaria feito e terminado, nada de compromissos com ninguém, não queria saber o nome, nada que a ligá-se a ela que não fosse uma dádiva de esperma, envolvida numas horas de prazer... não o voltaria a ver e jamais lhe pediria paternidades; queria um filho e nada mais. A partir desse momento tudo iria ser diferente na sua vida.

Melhor pensou, melhor o fez, bebeu uns copos para se esquecer da cara do rapaz e siga…

Na manhã do dia seguinte ligou para a amiga, para lhe contar a sua grande loucura a que chamou aventura, o resultado dessa noite era ainda incerto,  mas certamente iria mudar radicalmente a sua vida.




António Gallobar

4 comentários:

  1. Achei o conto bem interessante, um retrato realista do que está aocntecendo nos dias de hoje. As mulheres nem sempre encontram a sua "tampa de panela", mas o desejo da maternidade ainda é forte, na maioria delas.

    Torço pela personagem, tomara que Helena tenha seu filhinho!

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  2. Perdoa se te vou parecer nua e crua, vou dizer exactamente o que penso, melhor o que sei!!!

    Helena está a ser egoísta. Antes de gostar do seu filho, gosta de si. Na sua qualidade de futura mãe, perdoa dizer, mas... começou mal.
    Helena quer ser mãe porque não quer terminar a sua vida sozinha, mas esqueceu-se de pensar no mais importante. Como irá seu filho crescer sem saber de seu Pai?! Vai dizer-lhe que morreu? Que os abandonou?!
    Perdoa a emoção, este assuinto mexe comigo!
    Beijo, amigo.

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  3. Lágrima, essa é a função primeira de um escritor, é preciso mudar mentalidades, dar uma pedrada no charco, criar roturas. Tens uma forte personalidade e não tens nada que pedir desculpa pois também acho que ser mãe solteira, buscando um filho a um banco de esperma, não é solução e isto leva o nosso pensamento para outros assuntos que não desejo abordar, por serem muito polémicos. Essa é a função do texto, penso! logo existo.

    Beijinho
    Antonio Gallobar

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  4. Grande aventura! Esta senhorita está a dar tiros no escuro.Ai coitada!
    Para escrever é preciso imaginação e jeito...Quanto a isto tem facilidade!
    Há muito andava desligada do Google+ mas já retomei e é para continuar...Gostei!

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