Descartes deu o mote. A filosofia deste deste espaço é antes de mais dedicado ao sonho, às duvidas existênciais à escrita e ao prazer da leitura, um blog onde a actualidade não pode deixar de estar presente.



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"Não sirvas a quem serviu, nem peças a quem pediu"

A GRANDE NAÇÃO ALEMÃ E O SEU RELACIONAMENTO COM O MUNDO, faz lembrar este sábio provérbio. 

 

"Não sirvas a quem serviu, nem peças a quem pediu"



(Permitam-me apenas uma pequena nota introdutória. Como vem sendo habitual, os meus amigos enviam-me regularmente textos e email's fantásticos, entre eles chegou-me este que hoje partilho integralmente com todos vocês que por aqui passam, publico-o nesta página para reflexão, escrito pelo jornalista e Sociólogo Marcos Romão.)


 

 



 














Para que a memória não se apague … Fez há poucos dias 60 anos!




Faz hoje 60 anos - Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs | Entre os paises que perdoaram 50% da dívida alemã estão a Espanha, Grécia e Irlanda

0 Acordo de Londres de 1953 sobre a divida alemã foi assinado em 27 de Fevereiro, depois de duras negociações com representantes de 26 países, com especial relevância para os EUA, Holanda, Reino Unido e Suíça, onde estava concentrada a parte essêncial da dívida.

A dívida total foi avaliada em 32 biliões de marcos, repartindo-se em partes iguais em dívida originada antes e após a II Guerra.Os EUA começaram por propor o perdão da dívida contraída após a II Guerra. Mas, perante a recusa dos outros credores, chegou-se a um compromisso. Foi perdoada cerca de 50% (Entre os paises que perdoaram a dívida estão a Espanha, Grécia e Irlanda) da dívida e feito o reescalonamento da dívida restante para um período de 30 anos. Para uma parte da dívida este período foi ainda mais alongado. E só em Outubro de 1990, dois dias depois da reunificação, o Governo emitiu obrigações para pagar a dívida contraída nos anos 1920.

O acordo de pagamento visou, não o curto prazo, mas antes procurou assegurar o crescimento económico do devedor e a sua capacidade efectiva de pagamento.

O acordo adoptou três princípios fundamentais:
1. Perdão/redução substancial da dívida;
2. Reescalonamento do prazo da divída para um prazo longo;
3. Condicionamento das prestações à capacidade de pagamento do devedor.

O pagamento devido em cada ano não pode exceder a capacidade da economia. Em caso de dificuldades, foi prevista a possibilidade de suspensão e de renegociação dos pagamentos. O valor dos montantes afectos ao serviço da dívida nao poderia ser superior a 5% do valor das exportações. As taxas de juro foram moderadas, variando entre 0 e 5 %.

A grande preocupação foi gerar excedentes para possibilitar os pagamentos sem reduzir o consumo. Como ponto de partida, foi considerado inaceitável reduzir o consumo para pagar a dívida.

O pagamento foi escalonado entre 1953 e 1983. Entre 1953 e 1958 foi concedida a situação de carência durante a qual só se pagaram juros.

Outra característica especial do acordo de Londres de 1953, que não encontramos nos acordos de hoje, é que no acordo de Londres eram impostas também condições aos credores - e não só aos paises endividados. Os países credores, obrigavam-se, na época, a garantir de forma duradoura, a capacidade negociadora e a fluidez económica da Alemanha.

Uma parte fundamental deste acordo foi que o pagamento da dívida deveria ser feito somente com o superavit da balança comercial. 0 que, "trocando por miúdos", significava que a RFA só era obrigada a pagar o serviço da dívida quando conseguisse um saldo de dívisas através de um excedente na exportação, pelo que o Governo alemão não precisava de utilizar as suas reservas cambiais.

EM CONTRAPARTIDA, os credores obrigavam-se também a permitir um superavit na balança comercial com a RFA - concedendo à Alemanha o direito de, segundo as suas necessidades, levantar barreiras unilaterais às importações que a prejudicassem.

Hoje, pelo contrário, os países do Sul são obrigados a pagar o serviço da dívida sem que seja levado em conta o défice crónico das suas balanças comerciais

Marcos Romão, jornalista e sociólogo, 27 de Fevereiro de 2003.

4 comentários:

  1. Obrigada por podermos esclarecer o mundo com quem é que realmente lidamos..
    Porque não renovarmos o Acordo de Londres agora em 2013 como em 1953?!

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    1. Não deve ser fácil, sobretudo tendo em conta os egoísmos europeus lembro-me dum outro Post que coloquei aqui no blogue há algum tempo atrás, "A questão dos PIGS e o TRATADO de VERSALHES" que também me indignou.

      Grato pelo comentário
      Abraço

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  2. É de evitar servir a quem já servi. Um provérbio muito acertado!
    Quanto à descrição do texto, desconhecia tais pormenores! Sendo assim, agradecida pela partilha! É bom saber.

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    1. Obrigada minha querida amiga, vi que gostou do "Confúcio" é inspirador, claro que existem mais de 2.500 anos pelo menos a separar-nos e por isso alguns estarão porventura ultrapassados mas na globalidade têm uma actualidade impressionante. Beijinho

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