Descartes deu o mote. A filosofia deste deste espaço é antes de mais dedicado ao sonho, às duvidas existênciais à escrita e ao prazer da leitura, um blog onde a actualidade não pode deixar de estar presente.



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Há dias li uma noticia no Jornal acerca de dois irmãos internados na Casa Pia de oito e dez anos, que foram violados por colegas mais velhos com a complacência e cumplicidade das pessoas que trabalham e dirigem a instituição, vindo-se agora a saber por denuncia de terceiros deste hediondo acto. Não pude deixar de pensar no famoso processo da Casa Pia onde são acusados, gente importante da Nossa Sociedade, aguarda-se o desfecho sem esperança, ao que parece não passará de mais um processo sem grandes resultados para as vitimas, ao ler novamente títulos com abusos na "Casa Pia", acho que ninguém continua a prestar grande atenção às crianças que são as grandes vitimas.


Olhando para isto não poderia deixar de pensar, no que se passou em França na Grécia e agora no Bairro da Belavista em Setúbal, nesta raiva latente de quem se sente escorraçado da vida, muitos deles marginais, que apenas conhecem a força como meio de atingir fins. Nesta luta contra as instituições e poderes instituídos, no nós contra eles demonstrando que há tantas coisas erradas na nossa sociedade e que urge corrigir.

Não posso esquecer os Mártires de Candelária no Rio de Janeiro, como vitimas inocentes que jamais esquecerei.




Nuvens negras



Avançam nuvens negras ameaçando o futuro
o nosso egoísmo e opulência os obrigou a vegetar
famílias demitem-se do seu papel, existe culpa
em bandos marcando o território para actuar.

Sobrevivem ao Deus-dará, por entre as sombras
o grupo é a família que conhecem, e isso os une
a rua ditará a lei, onde sobreviverão os mais fortes
fogem da policia que mata e sai impune

Recusamos ver, rotulamo-los de indigentes
construímos muros, olhamos indiferentes, de lado.
ver a desgraça que há, numa casa sem telhado

Como será o amanhã, destes meninos de rua
é uma guerra sem futuro que nada de bom nos traz
deixem voar a esperança, soltem a pomba da paz



António Gallobar




9 comentários:

  1. Depois do escândalo que abalou o país de norte a sul, o mínimo que se poderia esperar era que as crianças internadas na Casa Pia pudessem viver em segurança.
    Tal não se verifica. Culpar quem? Sim, porque tem que haver culpados; e em casos tão hediondos como este, mais do que em quaisquer outros, é necessário descobri-los e puni-los severamente.

    Isto e outros acontecimentos recentes retratam bem o estado deplorável em que se encontra a sociedade, não só em Portugal, mas em todo o mundo.

    Gostei muto do texto assim como do teu poema.

    Uma boa semana.

    Beijinhos
    Mariazita
    A CASA DA MARIQUINHAS

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  2. Aqui, na minha frente, um rectangulo branco..., à espera que eu controle as emoções e simplesmente comente de forma politicamente correcta, o teu texto cheio de verdades e de dedo apontado à vergonhosa indiferença a que os responsaveis pela resolução do caso "Casa Pia" destinaram este Processo. Aqui, do meu lado direito estás tu! Olhas para mim, assim, olhos nos olhos, e não precisas falar, porque eu percebo...: vá, aproveita a ocasião... descarrega o teu veneno!... Mas eu iria dizer muita coisa feia, assim, limito-me à tristeza, engulo a raiva!...
    ... queria dizer-te: tem calma António, estes meninos de rua... isto é só uma fase..., é só adolescencia!... mas não digo, porque não acredito. As pessoas importantes a que fazes referencia lá em cima, são as principais interessadas no caos que se instalou, e que, como uma peste, alastra a olhos vistos! Nunca mais ninguém vai ter mão nestes meninos! Nunca mais ninguém vai ter tempo para se preocupar com os outros meninos. Porque é assim que convém aos senhores importantes.
    Os nossos meninos são os rebeldes meliantes de hoje e os homens criminosos de amanhã, porque assim convem que seja àqueles senhores importantes que são os criminosos de ontem que sairão sempre impunes, até ao último amanhã de cada um deles!...
    Eu não sei transformar num texto legivel, compreensivel, o emaranhado de palavras, raiva, indignação, dor, revolta que tenho dentro de mim. Lamento, António!
    Mas fico contente, ( tomara que este teu apelo mereça a atenção de alguém de direito) de teres trazido aqui este assunto!
    Beijo, amigo!

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  3. Antonio,que bela poesia de cunho social,mas que resgata a esperança de dias melhores para essas crianças!Abraços,

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  4. Obrigada pelas Vossas palavras, este é sem duvida um assunto que mexe fefinitivamente comigo e sobreo o qual não consigo ficar indiferente, um beijo para vocês; Mariazita, Delirius e Anne

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  5. António

    Se por acaso, alguém ainda duvidar que o tal " superior interesse da criança" é coisa de fachada, algo apenas para fazer que se faz cumprir a ratificação da Carta Universal dos Direitos da Criança, se por acaso alguém ainda duvidar, basta estar atento a alguns pormenores como aqueles que referes no teu texto.
    Todas estas crianças, crianças de rua, crianças marginais, crianças institucionalizadas, crianças díficeis, com comportamentos desajustadios, desviantes, crianças abusadas, maltratadas, crianças negligênciadas, esquecidas e usadas na sua condição de vulnerabilidade... estas crianças são produto da sociedade, dos espelhos onde se refletem, dos direitos que lhes negamos, dos afectos que lhes subtraímos.
    O poder e o dinheiro minam as mentes animais, de excentricidades preversas, de instintos desumanos e de egoismos desenfreados. São eles que mandam, fazem e não desfazem. Descartam-se, enconbrem-se, perdoam-se... legislam a seu favor... Depois hipócritamente fazem discursos sobre as causas da delinquencia nas crianças e jovens,e afirmam ser "um problema complexo..." assim tão simplesmente, como se não tivessem culpa e ainda alegam descaradamente, que tudo fazem, tendo em conta o "superior" interesse da criança.

    Excelente grito de revolta o teu ao qual me junto de alma e coração.
    Um abraço

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  6. Olá estive por aqui , li e gostei.
    Um grande abraço

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  7. Vim fazer uma visita...

    Num dia particularmente dificil agradeço a Deus o que de bom me dá...deixo para ti...


    HOJE


    Hoje, é mais um dia.
    Mais um que vem e que vai
    E amanhã o dia amanhece de novo
    Mas… igual a tantos outros…

    Esperamos com ansiedade
    Que o dia mude rapidamente
    E se transforme em algo diferente
    E em que nós possamos sentir essa diferença…

    Diferença em tudo que nos rodeia
    Em tudo que existe à nossa volta…
    E consigamos nessa diferença…
    Sermos sempre iguais…
    E sermos sempre… mais nós…



    Lili Laranjo

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  8. Amigo,

    emocionou-me este texto e o poema temático. "... soltem a pomba da paz". A esperança está na responsabilidade de cada um de nós que passa e que vê com os olhos sem o coração, pequenas almas nos viadutos, nas ruas, nas instituições, que ainda nem falam, mas de braços abertos pedindo amor e proteção.



    Beijos!

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  9. Vim conhecer também esse teu blog.Excelente!abraços,chica

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