Descartes deu o mote. A filosofia deste deste espaço é antes de mais dedicado ao sonho, às duvidas existênciais à escrita e ao prazer da leitura, um blog onde a actualidade não pode deixar de estar presente.



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Contagem Final



Permissão PD-LAYOUT; PD-USGOV-NASA - Cometa Hyakutake


Contagem final

Os pássaros me guião, caminho escutando a natureza
Tiro os sapatos, quero sentir a erva fresca que germina
Em êxtase tudo contemplo, que me embriaga e fascina
Num delírio afogado por tanta e tão rara beleza
sôfrego bebo, torrentes de água fresca da ribeira
na sombra das arvores, o sono dos justos dormiria
tonto pelo teu cheiro que me inebria e encanta
e nesse encanto meus olhos para sempre fecharia

E neste amor por ti, alucinado e louco
A teus pés me deito, pedindo perdão aflito,
Terra-mãe perdoa, ouve a minha voz, te suplico
Sei que o nosso cuidado por ti é nenhum ou muito pouco
Perdoa este filho ingrato que apenas vê à sua maneira
faço parte de ti, tal como as aves ou o vento
Idiotas nem que vemos que se te matamos
terás que nos matar, e terminar este tormento

Na ânsia de querer sempre mais o homem tornou-se soez
sofres às nossas mãos, já não ouvimos os teus ais
Não será que somos nós, quem realmente está a mais
Depois dos dinossauros, terá chegado a nossa vez
Não há tempo a perder, mãe eu por ti morreria
Salva-nos de nós próprios, ouve a minha voz
Somos loucos insanos, demasiado insensíveis
Que ao matar-te terra-mãe, quem morrerá somos nós

Eis que surge do alto, como uma espada na mão
Sobre nós, uma estrela brilhando Justiceira,
um corpo celeste, avança de forma traiçoeira
como já o fez, volta para semear escuridão
vozes aflitas rezarão tarde de mais,
depois da tempestade a bonança voltará então
e a terra acordará linda como sempre, deste pesadelo
sem nós, e de nós apenas restarão, marcas no chão.



António Gallobar


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4 comentários:

  1. Não sei se alguma vez te disse, António, mas eu encanto-me com a beleza simples do teu dizer! E com o teu sentir puro no olhar das coisas reais. Esse teu poema está simplesmente lindo. E a pureza quase criança com que saboreias, como se amanhã já não existisse mais, os pequenos/grandes bens desta nossa Terra-Mãe, é fantástica!
    ... e esse será o nosso castigo, morreremos por matá-la!

    Parabéns, meu amigo, excelente post!
    Beijo

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  2. Boa noite, António
    Gostei muito deste teu poema.
    De há muito tempo para cá temos andado a maltratar a Mãe-Natureza. Será que ela vai perdoar tantos maus tratos ou vai vingar-se?
    Só o futuro poderá responder a esta pergunta.
    A verdade é que ela já começa a dar sinais de saturação...

    Uma noite feliz.

    Beijinhos
    Mariazita

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  3. Um belo e sentido poema.
    Talvez se justificasse uma pequena revisão ("guião", "á sombra", "terás que nos vais matar").
    Também receio pela inevitabilidade de um cataclismo cósmico ou ecológico e com ele a extinção da raça humana antes de termos tempo de nos propagar para outras estrelas, a menos que o contacto surja antes disso.

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  4. Obrigado pelo seu comentario amigo José Monge, claro que tem muita razão, ainda bem que reparou. Abraço

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